Certos dias atendo com mais disposição a esse "dispositivo hipertextual proposicional", ao que parece puro senso pernóstico desse que vos tecla, mas ambiente de informática está inserido, cada vez mais, nas redes de computadores, e assume sua natureza abstrata numa ordem de grandeza que cheira a "no control", e desordem é sempre mais que conceitual. Fica a esperança de ser e gerar acontecimentos nesses modestos rizomas inter-relacionais, subtrações culturais de uma tradição oral, disseminada com a escrita e, agora, hipermidiaticamente, vem a se constituir como fator de produção.
Fiquei surpreso, fiquei mesmo, ao ler a notícia de existirem contabilizações afirmando que o cybercrime já fatura mais alto que o narcotráfico. Agora, situar-se numa sociedade que se propõe, ou se introjeta de valores informacionais, numa perspectiva que não se anula, ou ao invés disso, se afirma mais intensamente ainda, ao compreendermos que o trabalho é a real fonte geradora de riquezas em qualquer organização coletivamente produtiva, descontrói possibilidades criativas e criadoras: Deus, numa metáfora ocasional, deve estar furioso.
Para Nietzsche, havia razão na metafísica da vontade de Schopenhauer, então o coração pulsante do universo era um ímpeto cego, desprovido de finalidade, eternamente sofredor, porque eternamente carente. Não vamos dar a mínima para as ilusões consoladoras, pois a ciência, a religião ou a moral seriam capazes de responder à eterna pergunta pela razão de ser e pelo sentido da existência humana no mundo. Nem pela razão especulativa, nem pela via da ciência, a religião ou a moral justificariam a existência do universo e a razão da existência humana. Daí uma compreensão: “só como fenômeno estético torna-se justificada a existência do mundo”. Nascimento da tragédia. Assim o foi com os gregos ao dominar o caos de seus impulsos para transfigurar em beleza os horrores da existência.
Ao caracterizar também nossa época, modernismo e pós-modernismo, nas suas ausências de unidade de traço essencial de toda verdadeira cultura que é expressa em todas as manifestações da vida de um povo, assemelha-se mais, diria Nietzsche, a “uma barbárie civilizada”.
Vou ter que figurar a unidade de sentido manifestada na virtuose plástica de uma tela do grande artista espanhol Joan Miró(1893-1983), para aliviar sua náusea, também?

Les amoreaux du parque güell - Os amantes do parque güell
Escrito por JURI às 22h02
[]
[envie esta mensagem]
|