Nos primeiros meses do ano fica sempre redundante se falar do que quiser e vier a imaginar, pois todo assunto leva inevitavelmente a Sexo, Drogas e Rock'n roll. Embora não me sinta isento da tríade globalizada, acanho-me de emitir opiniões para, como diria meu velho amigo Zé Antonio, não ferir susceptibilidades (em português pra lá de erudito ). Apesar da dívida com meu diário eletrônico, virtual, hipermultimidiático, retorno à ativa com um tema do mês de março, sempre recorrente, merecedor de exageradas defesas e tempestuosas manifestações de apreço e dedicação para com a causa, pois falar de março sem falar na mulher, corresponde a esquecer da mãe, da avó, da irmã, da namorada, da esposa, da amiga – há quem não acredite em amizade entre um homem e uma mulher – ou até mesmo devotar uma pequena lembrança, no caso dos que nasceram de chocadeira. Assim, esquivo-me ali e acolá, para falar desse alvo da triangular maquinação da atualidade, lendo as notícias e vivendo de perto, também, pelo que passam as mulheres quando relacionadas a SDR. Recente relatório da ONG Médicos sem fronteiras assinalam que ¾ das mulheres entre 12 e 40 anos, portanto em idade sexualmente ativa, foram violadas, mutiladas ou molestadas de alguma maneira em países africanos vitimados por conflitos internos civis ou guerras inter-étnicas nos últimos anos, por exemplo, a Libéria, o Quênia e a Nigéria. No Sudão, talvez muitas mulheres não queiram saber o que é “enfibulação”, prática ainda existente, absurdamente, mas que é substrato de uma cultura repugnante. Mas se cairmos na tentação de comentar tal situação e relacioná-la com miséria, subdesenvolvimento, fome e tudo o mais que atribuem às nações africanas, escorregaremos pelo equívoco de desconhecermos que recentes pesquisas permitem inferir sobre um recrudescimento da violência contra a mulher em países ditos do “primeiro mundo”, na Europa e América do Norte. Tais informações chegam com grave constatação, a de que abaixo de 20% dos casos registrados, o agressor era desconhecido, isto é, a violência é doméstica, está na vizinhança ou nas comunidades das quais se faça parte. No link Drogas, aí companheiras não precisamos sequer da estatística, mulheres, comparativamente, não só um número cada vez maior está recorrendo às drogas, lícitas e ilícitas, como também estão consumindo em quantidades cada vez mais elevadas. No item Rock’n Roll, a parcela de prejuízo feminino fica por conta da confirmação do título mulher-objeto pra muita gente da fama, da arte, das cifras e de tudo o mais que possa ser moda, haja vista a passagem do “roqueiro” Grana ou Vox pelo país, quando patenteou nas suas apresentações em terras-brasilis, magnetizar uma jovem na platéia e serpenteá-la pelo palco como uma bonequinha de controle remoto, representando olhares, amassos e otras cositas más. Gostaria de homenageá-las, Mulheres, mas a situação é tão espinhosa, num mundo machista, racista, classista, que tenho o dever de ser, antes de qualquer coisa, solidário convosco. Afinal, pior que enfrentar tudo isso que tá aí, talvez seja encarar uma cólica menstrual, portanto solidário estarei nesse 08 de março, amadas, amigas e companheiras.
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JC/
Escrito por JURI às 20h07
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